Grupo Desportivo e Recreativo
Desde 1956 ao serviço da população...
Decorria o ano de 1954. Até à data, os tempos livres da população residente em Aires eram ocupados com jogos de mesa, que tinham lugar numa casa de comércio conhecida por todos como a Taberna do Lino, propriedade de Joaquim Lino dos Reis. O jogo de chinquilho era outro dos passatempos que ainda hoje conserva alguns apreciadores. Os bailes tradicionais também constituiam na altura, momentos de grande alegria e diversão para rapazes e raparigas de Aires e arredores. Ora é neste mesmo ano que um grupo de rapazes constituído por José Correia, António Chagas, António Bastos, Joaquim Batista, José Batista e Joaquim Lino dos Reis, decide avançar com a ideia de criar um clube de futebol, uma vez que a rapaziada de Aires tinha gosto pelo desporto rei e que a maioria das terras vizinhas já suportava o seu próprio clube. A ideia parecia boa, no entanto, com a criação do clube gerava-se um problema: onde instalar a sede do mesmo? É então encontrado um espaço, mais propriamente uma garagem pertencente a um habitante de Aires, de seu nome Lino da Silva, proprietário de fábricas de conservas na cidade de Setúbal. É precisamente nessa garagem que se realizam os tradicionais bailes, onde todo o dinheiro facturado virá a reverter a favor do Clube de Futebol de Aires (Airense), de modo a suportar as suas despesas. Foi então necessário criar os equipamentos para os jogadores. O primeiro equipamento do Airense era constituído por camisola verde e calção preto. Mais tarde, o equipamento principal sofreu algumas alterações, a camisola passou a ser listada verticalmente com as cores branca e verde, passando os calções a ser brancos. Como em todos os clubes e colectividades era necessário encontrar um emblema para o clube. É então que Salvador Chula, jogador da primeira equipa cria o emblema do Airense. As raparigas de Aires logo disponibilizaram a sua arte e dedicação bordando e colocando os emblemas nos equipamentos, uma verdadeira prova da união e da vontade de todos os habitantes da terra em levarem o projecto avante. Nesta altura, o Airense tinha o seu campo de jogos nas traseiras da sua sede onde realizava alguns jogos particulares com outros clubes locais. Para a história fica o nome de alguns dos jogadores da primeira equipa do Airense: José Correia, Salvador Chula, José Baptista, Joaquim Baptista, Osvaldo, António Bastos, Mário Machete, José Santos, Isidoro Bastos, Carlos Bastos, António Chagas, João Chagas, Manuel Bragadeste e José Víctor. Como não podia deixar de ser, a equipa de futebol também tinha a sua madrinha, de seu nome Fernanda dos Reis, filha de Joaquim Lino dos Reis, um dos fundadores. Em 1955 foi encontrada uma alternativa para as pequenas instalações da sede. As novas instalações eram agora na rua Aljubarrota, onde os bailes continuavam a animar a população de Aires e simultaneamente davam uma ajuda financeira ao clube. Entretanto, os elementos ligados à direcção contactaram Antoine Velge para que considerasse a possibilidade de ceder ao clube um terreno que se destinaria à localização de um novo campo de jogos. A proposta foi aceite e o Airense passou assim a ter um novo campo de futebol. Nessa altura, o Airense recebe em sua casa uma equipa constituída por alguns veteranos e outros jogadores que faziam parte do então plantel do Vitória de Setúbal. A visita de jogadores desta equipa a Aires foi um grande motivo de orgulho para as gentes desta terra e teve como principal objectivo o convívio dos jogadores de ambas as equipas num jogo particular, seguido de um almoço. No ano de 1956 a sede do Airense volta a trocar de instalações. O novo espaço encontrado foi um casão gentilmente cedido por Joaquim Campos, espaço esse onde ainda hoje está situada a sede. Foi no entanto necessário proceder a obras de melhoramento do espaço. Fundadores em conjunto com os moradores restauraram o local, de modo a que este pudesse receber dignamente a população. Na verdade, este foi um dos primeiros locais em Aires a receber água canalizada, pelo que muita gente se dirigia à colectividade para tomar o seu banho, pagando uma quantia simbólica. Em 1958, a esposa de Antoine Velge, Madame Velge solicita a instalação de electricidade no Airense, ficando-lhe este imensamente grato por ser ela a suportar todos os custos. É também Madame Velge quem oferece ao Airense a televisão que veio alterar os hábitos da população, que se juntava para assistir aos programas da época. A famosa caixinha mágica era uma novidade que impressionava e aproximava toda a gente, não só em Aires como em todo o país.
Conteúdo © de Paulo Ferreira 2005